Inovação, muito além do hackathon

Inovação, muito além do hackathon

Primeiramente já quero segurar a polêmica sobre o título do post. Não tenho nada contra hackathon, mas sim sobre as expectativas criadas sobre esse tipo de ação.

Se você não sabe o que é hackathon, lá vai uma definição (via Wikipedia):

Hackathon (palavra-valise inglesa, formada pelos vocábulos to hack, ‘fatiar’, ‘quebrar’, ‘alterar ou ter acesso a um arquivo ou rede‘, e marathon, maratona), termo eventualmente aportuguesado para “hackaton,” é uma maratona de programação na qual hackers se reúnem por horas, dias ou até semanas, a fim de explorar dados abertos, desvendar códigos e sistemas lógicos, discutir novas ideias e desenvolver projetos de software ou mesmo de hardware. Por ser um evento público (também referido como hack day, hackfest ou codefest), a maratona dá visibilidade e transparência a essas atividades, além de divulgar os novos produtos gerados.

Como você pode ver, é algo focado em tecnologia, que normalmente é dentro do nosso contexto de empreendedorismo e inovação, que é dentro da área de negócios, tem relação com o produto, e no início de uma startup tem pouca importância.

Sempre lembrando do post de job to be done, já falei sobre o fato do cliente querer uma solução para o seu problema, e não um produto. Então essencialmente é essa a razão pela qual você que está no mundo corporativo, deve ter melhores critérios de seu sucesso em sua jornada de inovação.

Para decidir qual ferramenta te ajuda a alcançar esse resultado de sucesso, não necessariamente será o modismo, o que algumas vezes é o hackathon, mas em outras pode ser até mesmo a aceleração.

Com isso entendemos que esse é um post sobre inovação e não hackathon.

Definição de Inovação

Em uma linguagem mais simples, dizemos que criar inovação essencialmente é criar “Soluções novas para problemas antigos”

Em uma linguagem mais técnica esse mesmo termo seria “Satisfazer demandas não atendidas de clientes”

E as duas respostas são a mesma coisa. A demanda já estava ali, e as pessoas já querem algumas coisas. O que o inovador faz, é prover essa necessidade, solucionando da melhor forma vista até hoje.

Muitos caem no equívoco de achar que inovação é criar algo que nunca foi feito. É comum em bancas de startup você ouvir um jurado não conhecedor desse conceito dizer “Mas eu já vi outra startup que faz isso”, certo? Esse comentário é super válido para você questionar o diferencial, mas não é capaz de dizer seu nível de inovação. Ou seja, o quanto uma solução agrada o cliente como ninguém antes fez.

Modelos de Inovação

Existem muitos tipos de inovação, alguns modelos e paradigmas, cheios de nomenclaturas, para as muitas vezes coisas iguais, e parece não haver muito consenso sobre.

Para não complicar o tópico ou torná-lo demasiadamente acadêmico, vou simplificar a linguagem chamando de “modelos”, por serem formas prontas de inovar que podemos aplicar e adaptar. Se tiverem leitores curiosos sobre o tema, vale até um post à parte para esse tema em específico.

Existe o modelo de inovação para P&D (pesquisa e desenvolvimento) que é mais focado em inovação tecnológica, inovação organizacional (orientada ao produto, vendas, produção, processos, serviços, etc), as inovações fechadas e abertas, interna e externa, a inovação linear e interativa, incremental e disruptiva.

Cada um tem seus conceitos, preceitos e atendem a necessidades específicas. Quando uma grande empresa pretende aplicar inovação, não existe resposta certa, exceto qual vai te atender melhor.

Na Startadora o nosso modelo de inovação são as startups. Sim, vemos startups como modelo, e nosso foco é proporcionar a nossos clientes a melhor forma de pensar e agir como uma startup. Nós usamos elas como base e sendo o mais parecido possível com elas em todos os aspectos necessários, para atingir o sucesso da jornada de inovação dos nossos clientes.

Inovar não é privilégio de alguns segmentos

Aqui temos mais uma chance de desfazer outro mal entendido que se tornou um grande paradigma, de que a inovação é algo que só empresas de determinado segmento ou tamanho podem fazer.

Na Startadora criamos recentemente um programa de Open Innovation com a InterCement, que é uma empresa do setor de construção civil, que faz… Cimento!

A construção civil é simplesmente o segundo setor que menos inova, “ganhando” apenas do setor de caça e pesca. Isso é um dado que recebemos da própria InterCement, o que tornou rica a possibilidades de demandas para se inovar.

Outro aspecto que precisa ser levado em consideração, é que devido a velocidade e o volume evolutivo de soluções inovadoras, não podemos mais dizer que inovação seja algo tido como diferencial, ou mesmo cool para uma empresa se autopromover. A cada ano se torna mais uma questão de sobrevivência, sendo a inovação um fator de competitividade, que se não levado em conta, é capaz de extinguir do mercado até grandes empresas bem consolidadas. Os cases são vários, desde a Kodak que é sempre lembrada, até algo mais recente, como o domínio da Nokia em celulares não ter se traduzido na liderança do mercado de smartphones.

Então não importa o seu tamanho, ou segmento, a inovação é para todos, e como um assunto de primeira importância, junto a estratégia.

Inovar não é ter muita tecnologia em tudo!

Tecnologia é muito legal, não é? Eu amo tecnologia, mas não podemos confundir tecnologia com inovação.

Primeiramente temos que lembrar que tecnologia simplesmente significa “Ciência das técnicas” e muitas coisas antigas como talheres, ferramentas mecânicas, são tecnologias.

O que realmente causa confusão é a Tecnologia da informação, principalmente ligada a computação, que é relativamente recente e evolui rapidamente em nosso tempo. As inovações mais expressivas do nosso tempos vieram da Tecnologia da Informação, então faz sentido relacioná-las, mas não são de longe a mesma coisa.

Essa é razão pela qual vemos no mercado, produtos sendo feitos com tecnologia avançada e cara, que falha miseravelmente em conseguir consumidores. Isso se deve ao fato de que, não é simplesmente por serem altamente tecnológicos que resolvem o problema de alguém.

Como exemplo didático, vamos pensar em uma televisão com tela touch. Temos há décadas o controle remoto, certo? Ele foi inovador, por possibilitar mudar canal, alterar o volume, e modificar as configurações da TV sem precisar se levantar e ir até ela. Mas uma TV com touch screen embora tecnologicamente mais evoluída, retrocede o processo e praticidade para o cliente final, pelo fato de ter que levantar e ir até ela para dar comandos, ou seja, o controle remoto ainda é mais inovador do que uma tela touch para uma TV em eu uso comum. Talvez uma inovação desse modelo que possa superar o controle remoto, seria o controle por gestos, que embora já exista não é tão intuitivo ainda.

Então não caia na obsessão de “minha startup de blockchain com inteligência artificial e IoT” porque se você não soluciona uma demanda verdadeira, você não está criando inovação.

A falsa inovação

Esse é um problema grave para quem trabalha com inovação, e confesso que causa até certa indignação quando somos rotulados de forma incorreta.

Empresas, entendam:

“Fazer inovação não é ter paredes coloridas, móveis coloridos e pufes igualmente coloridos… Não é contratar pessoal jovem e divertido, que gosta de usar internet e mídias sociais”

Desabafo feito, e confesso que não sei de onde veio essa ideia errada de inovação que as pessoas tem, como se fosse algo meio artístico, e até um tanto místico.  

É claro que prover ambientes mais funcionais, sofisticados, pode tornar times mais produtivos, porém você só tem inovação de fato quando está comprometido a solucionar algo.

É sim um trabalho de criatividade, tem seu lado caótico e tem uma certa entropia no processo, mas é altamente conectado a um lado científico, a dados, e disciplina de execução, além de características de cultura empreendedora, como perseverança, valorização de pessoas, criação e entrega de valor.

Então também é fácil confundir com funções de gestão de projetos, marketing, produtos, e outras, mas definitivamente não é!

Inovação é uma disciplina de generalistas, mais perto da administração, economia, e negócios em geral, porém com padrões distintos, e com foco em um resultado específico de solução e sucesso na ponta.

Mindset inovador

A mentalidade de um inovador se difere em muito das pessoas do mercado comum, e por isso a princípio pode parecer que não conseguem se ajustar aos modelos de negócio mais tradicionais sem enfrentar certos conflitos.

Mas o mindset inovador não existe para se chocar com o que hoje existe. É o contrário! A inovação frequentemente vem de quem consegue ter a vantagem de ver o mesmo mundo de ótica diferente. É praticamente como distorcer a realidade que hoje existe, conseguindo de certa forma reinventar essa dinâmica.

O inovador não é um alien, nem aquela figura do artista excêntrico ou mesmo o gênio incompreendido, e sim uma pessoa que consegue pensar de forma alternativa, e por isso tem resultados de sucesso onde esses gênios falham, seja por uma visão de perfeição utópica, ou por esgotarem as possibilidades do caminho incremental.

É por isso que a inovação não pode ser de um departamento, pois se for, você terá conflito de paradigmas dentro da organização e parecerá que a inovação é um remédio com efeitos colaterais que resolve alguns problemas criando outros.

Para se ter resultados realmente bons, a inovação precisa estar na cultura da organização e não apenas na estratégia, de forma a se tornar uma bússola para a organização como um todo.

Esse processo não é simples, e por isso existem parceiros para te ajudar a trilhar essa jornada. Nós da Startadora somos especializados em inovação corporativa baseada no modelo de startups, então se sua jornada passa por esse tipo de inovação e resultado, talvez valha a pena fazer contato e tomarmos um café.

Orientado a pessoas

Já falei disso mas não custa lembrar.

Esqueça a tecnologia, inovação é sobre pessoas!

É difícil para muitos entender, que para executar inovação, o fator mais sensível é o ser humano. É muito sobre como nos relacionamos e executamos na prática as ações que estão na nossa cabeça.

A ideia também é muito valorizada, mas já é básico para o empreendedor de startup, que o que vale é a execução, e quem entrega a execução é a equipe, ou seja, pessoas!

Não tem jeito de trabalhar com inovação e empreendedorismo se você não gosta ou não consegue trabalhar com pessoas. Um programa de inovação, onde eu posso destacar esse fato, a aceleração, é basicamente isso… Nós aceleramos os fundadores da startup, e eles realizam esse resultado nas suas empresas.

Não é atoa que criamos a Academia de Inovadores, porque para nós é claro que desenvolver pessoas é o caminho para aumentar nossa capacidade de entrega de inovação para nossos clientes, e gerar mais inovadores.

Por fim, você que sente necessidade de inovação na sua empresa, precisa ter esse olhar esclarecido para o assunto, e não achar que fazendo uma ação que está na moda estará inovando. Isso não será suficiente para ser competitivo.

Inovação é assunto sério, e dá excelentes resultados internos e externos.

Siga sua jornada e inove sempre!

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